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Oct 15
Thursday

Do jornalista brasileiro

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jornalismo_i31
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Quantas profissões existem pelo mundo? E quantas precisam de regulamentação? O discurso de um curandeiro para a de um médico difere tanto assim? Afinal, quando se passa no jornal da TV que um paciente clínico “com fé em sua recuperação”, consegue-a de forma mais rápida, não merece uma comparação com o paciente do curandeiro? Infelizmente temos em mente que a prática do curandeiro é tão incerta quanto a certeza de cura de um paciente clínico.

A discutível presença dos não-diplomados pelo Brasil tomou uma importância maior desde quando foi decidido que qualquer brasileiro pode ser jornalista. Assim como qualquer um pode fazer propaganda de uma padaria por aí, ou fazer programas de finanças para lojas de material de construção, ou um site para uma loja de cosméticos. Temos a nossa vista uma gama imensa de pessoas trabalhando com autonomia e “autodidatismo” por todo o nosso país. E é confissão de qualquer paraibano que existe uma ofensa visual gritante em qualquer dos ofícios tratados anteriormente. Os investidores procuram por serviços baratos… baratíssimos na verdade, e nossos bons e orgulhosos diplomados (ainda cheirando à beca alugada) precisam sair daqui pra descer a ladeira do Brasil.

O problema do jornalista diplomado patoense(não só por aqui, mas na maior parte dos INTERIORES brasileiros) é que não existe nenhuma chance de seu ofício prosperar em sua cidade natal, no caso Patos-PB. Os donos de rádios preferem os vozeirões, mesmo que seus donos tenham só até a 7ª série do ensino fundamental. Mesmo assim, como manter um regulamento de quem pode ou não segurar um microfone? A maioria dos brasileiros confirma o sumo acordo de que os negócios de nosso território são mantidos por diversas, eternas, bem montadas e invioláveis gambiarras por pura e simples falta de planejamento e estrutura. Pedir, nesse tempo de jogo, que cada instituição midiática brasileira mantenha APENAS funcionários diplomados é como se pedissem para aquele dono da rádio montar um grande hospital.

Por hora, frente à moda do vigilantismo aos jornalistas diplomados e não-diplomados, existe o discurso daquele que acha que o não-diplomado não tem o direito de falar e o discurso daquele que acha que o diplomado não sabe falar. Todos estão fadados a passarem pela análise de sua posição: desde intitular-se filósofo diplomado (que acaba por ganhar um certo ar pretencioso) a ser “considerado” um filósofo (situação que aparenta ganhar maior validade e peso).

A decisão suprema que tira a obrigatoriedade do diploma de jornalista passa ao jornalista (diplomado ou não-diplomado) que não é necessário só escrever ou falar bem. Existem exímios escritores e oradores ocupando posições e cargos em diversas profissões e mesmo assim não perdem o vexame do mau trabalho executado de vista. É preciso merecer, junto ao filósofo que matuta, ao médico que cura, ao publicitário que vende mais e ao programador que soluciona, o caráter de JORNALISTA.

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