O Nilo Azul: Wagner e a bodega


Não é a primeira vez que me surpreendo com o que ouço no rádio. Dia desses me deparei com o som orquestral de composição de algum desses antigos alemães desgrenhados. É atípico… principalmente porque foi na hora do almoço.

Lembro da cara do povo que ouvia a tal sinfonia de número qualquer. Os apressados da rua não acreditavam no que ouviam, achavam belo por um instante e tirando a remela dos olhos e a cera dos ouvidos, voltavam pra realidade reclamando pelo antigo forró chulo que tocava há alguns minutos atrás. Os donos de lojas que vendiam roupas baratas e lanches vencidos notaram a necessidade de ouvir algo tão fuleira quanto seus produtos.

Hoje ouvi alguma outra sinfonia no caminho pro trabalho. Não combinava muito com as borracharias e com as bodegas, mas seus donos já não ligam mais pra essa zuada matutina.

Deixe seu comentário