Considerada por muitos como apenas uma grande produção televisiva; para uns outros, Lost foi uma experiência sem precedentes. Após dois anos do marcante fim da estória da Ilha, o elenco do Jerimum Beta relança o podcast LOST IS EVERYTHING, BUT NOT ALL IS LOST.
A tentativa de destrinchar esta obra resultou numa abordagem para além do óbvio, citando Nietzsche (de novo?), o cristianismo (também?) e muitas outras fontes que alicerçam as respostas para o que se configura como FIM.
Abaixo, a postagem original publicada em 25 de março de 2011.
Durante o tempo necessário, Lost, e tudo o mais que gravita em torno da série, aguardou uma explicação definitiva para o que quer que precise de uma. E nós aguardamos impacientementepor lançar também as nossas peças ao jogo. Eis que, quase um ano depois do colapso, caiacidentalmente em sua tela esse podcast – do qual pode-se dizer profundo, sem ser chato,e, acima de tudo, superficial, mas sem ser exatamente banal – como que uma explicação: anossa. Agora, se o for (há quem duvide), é para nós mesmos ainda labiríntica, provisória… deforma que talvez seja ainda bom não aceder de imediato às suas suposições, como a de que ailha é o Aleph, a de que há um Cordeiro de Deus lá (ou vários), a de que Jack poderá ter ficadofrente-a-frente com o Nome do Pai ou a suposição de que a rivalidade fraterna permeia tudo.
A (des)ordem das músicas e das falas foi minuciosamente composta por Emanoel Raiff e sua agilidade, em conluio com Zé Márcio. Entre um suposto fundo musical, que não é tão fundoassim, e as interrupções aleatórias, aqui e ali, pontuam-se explicações precárias de teoriastão diversas quanto oportunas e exposições incompletas de textos cuja única autorizaçãopara aproximá-los a Lost foi a nossa memória e a nossa vontade. Assim como foi com essasoberania graciosa que o Paulo Brabo ilustrou fulminantemente os contrastes de nossastentativas de seguir adiante. Valeu!
Da noite misteriosa de 25 de maio de 2010, participamos, além de todo mundo, Rondinelly,Allyson Irlesh e Zé Márcio, com a leve carga de espontaneidade e as singelas contradiçõesque carregamos. Confinados pelo estruturalismo, obcecados pela psicanálise, eternamenteretornando a Nietzsche ou condenados à lembrança do Evangelho, esse papo caótico quispretensiosamente, mas não deliberadamente, dar uma de Estação Cisne prestes a explodir:além de você, puxamos pra dentro de Lost tudo que, em nossa avaliação (que para nós é muitoimportante), nos habilitava a falar sobre o que já falava por si mesmo ou sobre o infalável. Dequalquer forma, o que está feito, está feito.
Que a multidão de vozes ou sussurros que, de todos os tempos, transformaram-se conoscoÀs vezes em labirinto, onde os caminhos estão sob a força de um alheio arbítrio, às vezes emselva, com trilhas por abrir, leve-nos, com a devida lembrança e o devido esquecimento, àredenção e ao arrebatamento. Ou, como não deixamos de estar para além da morte e do fim,leve-nos a ver-nos em outra vida (brothas).
Participantes:
Allysson Slash
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Data de lançamento: 25 de março de 2011
Data de relançamento: 19 de março de 2012
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Créditos:
Cortes e edição: Raiff Filho
Ilustração: Paulo Brabo



Comentários
Muito bom, e como nordestino, ouvir sotaques nordestinos (e eruditos) é melhor ainda!
Valha-me Deus! acho que fomos totalmente ignorados.
De todo modo, eu queria comentar acó as falas dum amigo nosso, Netinho, já que ele não o fez ainda, a respeito do porquê de as pessoas não terem filhos na Ilha. Segundo ele, ainda que – vá lá! – o problema de fertilidade apresentado à gente, na série, diga respeito a um intento particular de Ben, o de cuidar pra que a filha dele não ficasse buchuda, se o povo não pode ter filho algum aló é por mor de não poder haver lá um grupo que se identifique culturalmente com local, ou seja, não há um povo que lhe seja próprio. Quem quer que tenha já vivido aló, viveu sem que pertencesse realmente ao lugar, o que abre espaço para falar de eleição sem necessariamente tomar um povo como eleito. Eu gosto disso.
Com um grande atraso, mas conferi!
LOST – pelo amor de deus, gente é produto AXN, excelente produto, dizem! Minha visão sobre séries ou filmes, ou livros do gênero: valem mais pela expectância de uma verdade, que pelo vislumbre propriamente.
Eterno retorno, samsara, limbo, a vantagem de uma história que não se explica é ser um grande teste de Rorschach!
Faltou uma pessoa aí pra fazer uma oposiçãozinha, estão muito aduladores, Zé, Rondinelly e Irlesh!
Lindos! Vamo fazer um videocast na próxima!