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		<title>Menina lança filhotes de cachorro no rio</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 21:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Sinistro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Jerimum não costumar divulgar este tipo de conteúdo, mas minha revolta foi grande e acho que mais pessoas precisam ver tamanho sadismo. Uma menina na Croácia filmou sua atrocidade e colocou as imagens na internet, o que ela fez exatamente? Juntou em um balde seis filhotinhos de cachorro, foi até a beira de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Jerimum não costumar divulgar este tipo de conteúdo, mas minha revolta foi grande e acho que mais pessoas precisam ver tamanho sadismo. Uma <strong>menina na Croácia</strong> filmou sua atrocidade e colocou as imagens na internet, o que ela fez exatamente? Juntou em um <strong>balde seis filhotinhos de cachorro</strong>, foi até a beira de um rio, pegou um por um e <strong>lançou-os na correnteza</strong>. <a rel="attachment wp-att-3136" href="http://jerimumbeta.com.br/menina-lanca-filhotes-de-cachorro-no-rio/animal_maustratos"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3136" title="animal_maustratos" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/09/animal_maustratos-197x300.jpg" alt="" width="258" height="394" /></a></p>
<p><strong>As imagens são fortes</strong>, são de partir o coração de  qualquer um, é possível ouvir os gritos dos cães enquanto são lançados  no rio, logo, se você não é forte o bastante não veja o vídeo.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="424" height="318" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=572221&amp;relacionados=N&amp;default=S〈=null&amp;cor_fundo=FFFFFF&amp;cor_fundo=777777&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="424" height="318" src="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=572221&amp;relacionados=N&amp;default=S〈=null&amp;cor_fundo=FFFFFF&amp;cor_fundo=777777&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Grupos do mundo todo estão tentando descobrir a identidade da garota.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.caixapretta.com.br/">Caixa Preta</a></p>
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		<title>Neoliberalismo como destruição criativa – Parte 2</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 16:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Sinistro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contemporânea]]></category>
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		<description><![CDATA[Autor: David Harvey – geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York Confira a Parte 1 aqui! A ‘NATURALIZAÇÃO’ DO NEOLIBERALISMO Para que um sistema de pensamento se torne hegemônico, é necessário que a enunciação de conceitos fundamentais esteja tão profundamente enraizada no senso comum a ponto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a rel="attachment wp-att-3130" href="http://jerimumbeta.com.br/neoliberalismo-como-destruicao-criativa-%e2%80%93-parte-2/david_harvey-a8920"><img class="alignright size-full wp-image-3130" title="david_harvey-a8920" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/09/david_harvey-a8920.jpg" alt="fg" width="202" height="279" /></a>Autor:</strong> David Harvey – geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Confira a Parte 1 <a href="../neoliberalismo-como-destruicao-criativa-parte-1">aqui</a>!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A ‘NATURALIZAÇÃO’ DO NEOLIBERALISMO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para que um sistema de pensamento se torne hegemônico, é necessário que a enunciação de conceitos fundamentais esteja tão profundamente enraizada no senso comum a ponto de ser tomada como certa e fora de todo questionamento. Mas não são quaisquer velhos conceitos que são suficientes para tal. É necessário construir um aparato conceitual que se mostre quase ‘natural’ para nossas intuições e instintos, para nossos valores e desejos, bem como para as possibilidades que pareçam estar inseridas no mundo social que habitamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens fundadores do pensamento neoliberal consideraram os ideais políticos dos direitos individuais e da liberdade com sacrossantos, como ‘valores centrais da civilização’ e, ao fazê-lo, eles escolheram bem e sabiamente, pois enquanto conceitos, têm uma enorme força de atração. Eles argumentavam que tais valores estariam ameaçados não somente pelo fascismo, pelas ditaduras e pelo comunismo, mas por todas as formas de intervenção estatal que substituíram pelo julgamento coletivo a liberdade de escolha dos indivíduos. Concluíram que sem “o poder difuso e a iniciativa associada (com a propriedade privada e o mercado competitivo) seria difícil imaginar uma sociedade na qual a liberdade pudesse ser efetivamente preservada”.1</p>
<p style="text-align: justify;">Deixando de lado a questão sobre se a segunda parte do argumento necessariamente decorre da primeira, não há dúvida de que os conceitos de liberdades individuais são bastante poderosos, estendendo-se até mesmo por áreas mais vastas do que aquelas nas quais a tradição liberal teve uma forte presença histórica. Tais ideais alimentaram os movimentos dissidentes na Europa Oriental e na União Soviética, antes do fim da Guerra Fria, bem como os estudantes da Praça da Paz Celestial.</p>
<p style="text-align: justify;">O movimento estudantil que varreu o mundo em 1968 – de Paris e Chicago até Bangkok e a Cidade do México – foi em parte animado pela busca de uma maior liberdade de discurso e de escolha individual. Esses ideais já provaram repetidas vezes constituírem poderosas forças históricas de mudança. Não é surpreendente, portanto, que a cada momento nos vejamos rodeados pela retórica dos apelos aos direitos e à liberdade, e que eles povoem todos os gêneros de manifestos políticos contemporâneos. Isto é particularmente verdadeiro para os Estados Unidos dos últimos tempos. No primeiro aniversário daquilo que veio a ser chamado de “11 de setembro”, por exemplo, o presidente Bush escreveu um artigo para o New York Times, com idéias extraídas de um documento sobre a estratégia de defesa nacional dos Estados Unidos, aparecido pouco tempo depois. ““ Um mundo pacífico de liberdade crescente”, ele escreveu (enquanto os Estados Unidos ultimavam os preparativos para a guerra do Iraque), serve aos interesses norte-americanos de longo prazo, reflete os nossos ideais e une os aliados dos Estados Unidos”. “A humanidade”, conclui Bush, “tem em suas mãos a oportunidade de conceder o triunfo da liberdade a todos os seus adversários de longa data” e “os Estados Unidos assumem com prazer sua responsabilidade em liderar essa grande missão”. Mais enfaticamente ainda, ele proclamou também que “a liberdade é o presente de Deus-Todo-Poderoso para todos os homens e mulheres do mundo”, e, “como a maior potência do mundo, (os Estados Unidos) têm a obrigação de auxiliar em sua propagação”.2 Quando todas as outras razões para envolver-se em uma guerra preventiva contra o Iraque mostraram-se falaciosas, ou pelo menos insatisfatórias, a administração Bush começou a recorrer cada vez mais freqüentemente à idéia de que a liberdade oferecida ao Iraque valia por si mesma como justificativa para a guerra. Mas qual é o tipo de ‘liberdade’ que se imagina aqui? Afinal, como já havia observado muito tempo atrás o crítico cultural Mathew Arnold com grande acuidade, “a liberdade é um excelente cavalo para se andar, contanto que seja para ir até algum lugar” (citado em WILLIAMS, 1958, p.118).</p>
<p style="text-align: justify;">Para onde se esperava que o povo iraquiano conduzisse aquele cavalo doado de modo tão altruísta por meio da força das armas? A resposta dos Estados Unidos deu-se a conhecer no dia 19 de setembro de 2003, quando Paul Bremer, chefe da Autoridade Provisória da Coalizão, promulgou quatro diretivas que incluíam “a privatização completa das empresas estatais, a remessa integral de lucros estrangeiros &#8230; a abertura dos bancos do Iraque ao controle estrangeiro, aplicação de regras nacionais para empresas estrangeiras e &#8230; eliminação de quase todas as barreiras” (JUHASZ, 2004). As ordens deveriam ser aplicadas a todas as áreas da economia, incluindo os serviços públicos, mídia, indústria, serviços, transportes, finanças e construção civil. Só o petróleo estava isento. Por pressão dos conservadores, também se instituiu um sistema de impostos regressivos chamado de imposto global. Proibiram-se as greves e foram postos fora da lei os sindicatos em setores chaves da economia. Um membro iraquiano da Autoridade Provisória da Coalizão protestou contra a imposição forçada do “fundamentalismo de livre mercado”, descrevendo-o como uma “lógica defeituosa que ignora a história” (CRAMPTON, 2003, p.C5). Contudo, não se concedeu ao governo iraquiano interino, formado no fim de junho de 2004, nenhum poder para modificar ou escrever leis: ele podia apenas sancionar os decretos já promulgados.</p>
<p style="text-align: justify;">O que os Estados Unidos buscaram implantar no Iraque foi, claramente, um completo aparato de Estado neoliberal, cuja missão fundamental era e é facilitar as condições para a lucrativa acumulação de capital para todos os envolvidos, iraquianos e estrangeiros. Em suma, esperava-se que os iraquianos conduzissem seu ‘cavalo da liberdade’ diretamente para o curral do neoliberalismo. De acordo com a teoria neoliberal, os decretos de Bremer instituíam as condições necessárias e suficientes para a criação da riqueza e, portanto, para a melhora do bem-estar social do povo iraquiano. Essas seriam o estabelecimento de adequadas regras legais, liberdade individual e governança democrática. A insurreição que se seguiu pode ser interpretada, em parte, como resistência iraquiana a ser levada a abraçar o fundamentalismo de livre mercado contra sua própria vontade livre. Mas seria útil recordar que o primeiro grande experimento com a formação de um estado liberal foi o Chile posterior ao golpe de Estado de Pinochet, quase 30 anos antes do dia em que foram publicados os decretos de Bremer, o ‘pequeno 11 de setembro’ de 1973. O golpe contra o governo democraticamente eleito de Salvador Allende, governo social-democrata de esquerda, foi fortemente auxiliado pela CIA e apoiado pelo secretário de Estado Henry Kissinger. Esse golpe reprimiu violentamente todos os movimentos sociais e organizações políticas de esquerda, desmantelando todas as formas de organização popular (como os centros de saúde comunitários nos bairros mais pobres). O mercado de trabalho foi ‘liberado’ de constrangimentos regulatórios e institucionais (por exemplo, o poder dos sindicatos).</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, em 1973, as políticas de substituição de importações que anteriormente haviam dominado as tentativas latino-americanas de regeneração (no que o Brasil foi até certo ponto bem-sucedido no período pós-golpe de 1964) haviam caído em  desgraça. Com a economia mundial mergulhada em uma séria recessão, obviamente se requeria algo novo. Um grupo de economistas chamado de “Chicago boys” em virtude de sua simpatia pelas teorias neoliberais de Milton Friedman, na época lecionando na Universidade de Chicago, foi chamado para ajudar a reconstruir a economia chilena. Eles o fizeram seguindo a lógica do livre mercado, privatizando os ativos públicos, liberando os recursos naturais para a exploração privada e facilitando o investimento estrangeiro direto e o livre comércio. Garantiu-se o direito das companhias estrangeiras em repatriar os seus lucros nas operações chilenas. Favoreceu-se o crescimento voltado para a exportação, em vez da substituição de importações. O subseqüente revigoramento da economia chilena em termos de taxas de crescimento, acumulação de capital e altas taxas de retorno dos investimentos estrangeiros produziu as evidências a partir das quais se modelaram as políticas mais abertamente neoliberais na Inglaterra (sob Thatcher) e nos Estados Unidos (sob Reagan), em um segundo momento. Não foi a primeira vez em que um experimento brutal de destruição criativa, levado a cabo na periferia, tornou-se modelo para a formulação de políticas no centro (VALDEZ, 1995).</p>
<p style="text-align: justify;">O fato de que tenham ocorrido duas reestruturações similares do aparato de Estado em momentos tão distintos e em partes tão distintas do mundo sob a influência coercitiva dos Estados Unidos pode nos levar a certas suposições. Isso sugere que o braço forte do poder imperial norte-americano estivesse por trás da rápida proliferação de formas de Estado neoliberais por todo o mundo, desde meados da década de 1970. Embora possamos encontrar fortes evidências dessa coerção ao longo dos últimos 30 anos, ela não é suficiente para explicar toda a questão. Afinal de contas, não foi a pressão norte-americana que levou Margaret Thatcher a assumir a orientação liberal em 1979, e durante os primeiros anos da década de 80 Thatcher foi uma defensora muito mais consistente do neoliberalismo do que o próprio Reagan conseguiu ser. Tampouco foram os Estados Unidos quem forçou a China em 1978 a trilhar um caminho de liberalização, que foi aos poucos tornando possível a ela abraçar o neoliberalismo. Também seria difícil atribuir ao braço imperial dos Estados Unidos o movimento em direção ao neoliberalismo na Índia e na Suécia, em 1992. O desenvolvimento geográfico desigual do neoliberalismo no cenário mundial foi, evidentemente, um processo muito complexo, implicando múltiplas determinações e não pouco caos e confusão. Assim, por que ocorreu a vaga neoliberal e quais foram as forças que a impulsionaram, a ponto de se tornar um sistema tão hegemônico no capitalismo global? (<strong>Continua na próxima semana</strong>)</p>
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		<title>4ª Edição: Festival encerra com premiação e desabafo</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 14:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante três dias foi apresentado, no sertão paraibano, uma grande multiplicidade de tendências e movimentos culturais dentro de algumas produções audiovisuais brasileiras. Ao final do 4º Festival Cinema com Farinha – Festival Audiovisual do Sertão Paraibano, fica confirmada a proposta deste festival, que é proporcionar um espaço de encontro para discussão e exibição da produção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DSC06026.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3126" title="DSC06026" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DSC06026-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Durante três dias foi apresentado, no sertão paraibano, uma grande  multiplicidade de tendências e movimentos culturais dentro de algumas  produções audiovisuais brasileiras. Ao final do 4º Festival Cinema com  Farinha – Festival Audiovisual do Sertão Paraibano, fica confirmada a  proposta deste festival, que é proporcionar um espaço de encontro para  discussão e exibição da produção audiovisual regional e nacional. E foi  com esse estímulo que aconteceu mais uma edição.</p>
<p>Na última noite, dia 29 de agosto, quem esteve no auditório do Guedes  Shopping presenciou o anúncio dos melhores vídeos nas categorias ficção,  animação e documental, através do júri oficial e popular.</p>
<p>Melhor vídeo documental para o júri oficial: Vírus, de Matheus Andrade (PB)<br />
Melhor vídeo documental para o júri popular: Celebridades Anônimas, de Rubens Romero (SP)<br />
Melhor vídeo de animação para o júri oficial: Aula de Yoga .34, de Gordeeff e Cláudio Roberto (RJ)<br />
Melhor vídeo de animação para o júri popular: O Divino, de repente, de Fábio Yamaji (SP)<br />
Melhor vídeo de ficção para o júri oficial: Simpatia do Limão, de Miguel de Oliveira (RJ)<br />
Melhor vídeo de ficção para o júri popular: Simpatia do Limão, de Miguel de Oliveira (RJ)<br />
<a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/foto.jpg"></a></p>
<p><a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/foto.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3127" title="foto" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/foto-300x202.jpg" alt="" width="300" height="202" /></a>Antes  da premiação, o diretor e idealizador do festival, Deleon Souto,  convidou a equipe de produção para os agradecimentos. Ressaltou ainda a  colaboração da Coordenação do Curso de Comunicação Social – Jornalismo  das FIP, aos veículos de imprensa, aos jurados, a Zanzen Produções, do  diretor José Padilha, e a todos que prestigiaram esta quarta edição.</p>
<p>Durante o pronunciamento, o idealizador Deleon Souto agradeceu ao  público presente numa espécie de desabafo. &#8220;Vale lembrar que em 2010  este festival aconteceu, e continuará acontecendo nos próximos anos,  mesmo que a classe empresarial e política da região não acreditem nesta  iniciativa&#8221;, ressaltou. &#8220;O 4º Festival Cinema com Farinha, realizado  pela DS Produções, aconteceu este ano por investimentos particulares e  continuará acontecendo assim, enquanto for possível&#8221;.</p>
<p>Também foram exibido cinco documentários selecionado para a Mostra Sertão:  &#8217;1930: O Sertão no Brasil&#8217;, &#8216;Francisca: A Fé de um Povo&#8217;, &#8216;Ao Pé das  Preacas&#8217;, &#8216;Sobre Vidas&#8217; e &#8216;Homos&#8217;.  Os vídeos são todos produzidos por  jornalistas da região sertaneja, e alguns tiveram sua primeira exibição  pública.</p>
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		<title>Pior do que tá não fica</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 14:07:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o mote proferido por uma das mais autênticas figuras brasileiras durante o guia eleitoral deste ano. Em seu excesso de sinceridade na incerteza do que está fazendo,  Tiririca ainda pergunta: &#8220;Você sabe o que um deputado federal faz? Nem eu!&#8221; Há, além dele, algumas outras pérolas brasileiras, dignas de atenção pelo excesso de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o mote proferido por uma das mais autênticas figuras brasileiras durante o guia eleitoral deste ano. Em seu excesso de sinceridade na incerteza do que está fazendo,  Tiririca ainda pergunta:</p>
<blockquote><p>&#8220;Você sabe o que um deputado federal faz? Nem eu!&#8221;</p>
</blockquote>
<div id="attachment_3119" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/tiriricaMAROTO.jpg"><img class="size-full wp-image-3119" title="tiriricaMAROTO" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/tiriricaMAROTO.jpg" alt="" width="200" height="235" /></a><p class="wp-caption-text">O primeiro &#39;colorido&#39;</p></div>
<p>Há, além dele, algumas outras pérolas brasileiras, dignas de atenção pelo excesso de estranheza, como o marido de Mara Maravilha que &#8220;intercede&#8221; pelo marido e clama ao expectador &#8220;com muito louvor&#8221; para que vote em seu marido por conhecê-la. Uma evidência clara de quem manda dentro de casa. Já a anônima (por falta de nome mesmo) Mulher-Pêra, vestida em um belo corpete, demonstra a razão que o eleitor-onanista deve escolhê-la para ser sua representante no governo. E daí desbanca para cada candidato mais tronxo que outro, como Kiko do KLB, Ronaldo Ésper e Maguila.</p>
<p>Na Paraíba, um jingle adaptado da música &#8220;Beat it&#8221; levou o candidato Lindolfo Pires ao estrelato momentâneo ao alcançar rapidamente o primeiro lugar do &#8216;Trending Topics Brasil&#8217; da rede social Twitter. A versão da música do falecido Michael Jackson alcançou tamanha popularidade que chegou às portas da empresa proprietária da música. Segundo a Sony Music, Lindolfo Pires será intimado para desembolsar uma possível indenização pelo uso da música.</p>
<p>Detalhe: a versão adaptada da música não foi encomenda do candidato. De acordo com o candidato, ele só incorporou a música ao site oficial por ela citá-lo, mas assegura que a música é de algum eleitor bem humorado.</p>
<p><strong>O voto<br />
</strong></p>
<p>Já há algum tempo que figuras &#8216;pitorescas&#8217; representam civis no cenário político. O finado Clodovil e o tecladista forrozeiro Frank Aguiar (AU!), por exemplo, conseguiram a eleição sumária devido ao discurso generalizado do &#8220;<strong>voto de protesto</strong>&#8220;: uma forma falha e ilegítima, segundo Zé Márcio, que afirma como única forma de protesto válido, a anulação do próprio voto.</p>
<p>De fato, o tal voto de protesto, como é aplicado pelo eleitorado sudestino (na maior parte das vezes), salvo o lendário Enéas, tem emergido figuras <strong>I</strong>memoráveis para sua representação. Lembrete especial para o dia em que Clodovil foi alertado por vestir um chamativo paletó cor-de-rosa na Câmara dos Deputados. Porém,  não querendo deixar o político cara limpa (não confunda com Ficha Limpa) inócuo das críticas razas, o que se disse até agora não refuta a hipótese de que boa parte dos imponentes políticos de peitos inchados não tenham maior inteligência que os políticos alegóricos. A atitude, a intenção e o discurso são os mesmos.</p>
<p>Obrigado pelo mote, Tiririca.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tfTFZQDwJQc?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/tfTFZQDwJQc?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Rock30: O Retorno</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 02:02:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Retorno]]></category>
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		<description><![CDATA[Neste ROCK30 sem tema ou palta, mas com muita balbúrdia contamos com Ivan Motosserra e Rodrigo Do Quarto Sinistro pra tocar a zona e como convidados desocupados temos Angélica Ferreira do Masmorra Erotica, Camila Barbiere do Seriadores Anônimos, Isabela Cabral do Podcumê e Kodoji. Todos essas pessoas gravaram a volta do nosso quero ROCK30 com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/BANNER52.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3057" title="BANNER52" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/BANNER52.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p>Neste ROCK30 sem tema ou palta, mas com muita balbúrdia contamos com Ivan Motosserra e Rodrigo Do Quarto Sinistro pra tocar a zona e como convidados desocupados temos Angélica Ferreira do Masmorra Erotica, Camila Barbiere do Seriadores Anônimos, Isabela Cabral do Podcumê e Kodoji.</p>
<p>Todos essas pessoas gravaram a volta do nosso quero ROCK30 com muito humor, informações estranhas e músicas ainda mais.</p>
<p>Masmorra Erotica-http://masmorraerotica.blogspot.com/<br />
Seriadores-  www.seriadores.orgfree.com<br />
Cumecamão- http://cumecamao.com.br<br />
Filmes com Legenda- http://filmescomlegenda.net/</p>
<p>Lista<br />
Fortunate Son- Creedence Clearwater Revival<br />
Street Of Laredo- Johnny Cash<br />
Burn- Deep Purple<br />
Hitting The Ground- Pj Harvey<br />
There&#8217;s a Pot a Brewin- The Little Ones<br />
Tunnel Of Love- Dire Straits<br />
Wolves Of The Sea- Alestorm<br />
People Are Strange- The Doors<br />
B.Y.O.B.- System Of A Down<br />
American Idiot- Green Day<br />
New York City Cops- The Strokes<br />
Who Wants To Live Forever- Queen<br />
In Heaven There Is No Beer- Irish Rovers<br />
Father And Son- Cat Stevens</p>
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		<itunes:summary>Neste ROCK30 sem tema ou palta, mas com muita balbúrdia contamos com Ivan Motosserra e Rodrigo Do Quarto Sinistro pra tocar a zona e como convidados desocupados temos Angélica Ferreira do Masmorra Erotica, Camila Barbiere do Seriadores Anônimos, Isabela Cabral do Podcumê e Kodoji.

Todos essas pessoas gravaram a volta do nosso quero ROCK30 com muito humor, informações estranhas e músicas ainda mais.

Masmorra Erotica-http://masmorraerotica.blogspot.com/
Seriadores-  www.seriadores.orgfree.com
Cumecamão- http://cumecamao.com.br
Filmes com Legenda- http://filmescomlegenda.net/

Lista
Fortunate Son- Creedence Clearwater Revival
Street Of Laredo- Johnny Cash
Burn- Deep Purple
Hitting The Ground- Pj Harvey
There's a Pot a Brewin- The Little Ones
Tunnel Of Love- Dire Straits
Wolves Of The Sea- Alestorm
People Are Strange- The Doors
B.Y.O.B.- System Of A Down
American Idiot- Green Day
New York City Cops- The Strokes
Who Wants To Live Forever- Queen
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		<itunes:author>netozeppelin@gmail.com</itunes:author>
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		<title>Fim de Semana em Patos: Festival Cinema com Farinha</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 14:43:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Festival de Cinema anima o fim de semana em Patos-PB]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/07/cinema.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2867" title="cinema" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/07/cinema-240x300.jpg" alt="" width="240" height="300" /></a>Consolidando o espaço entre os circuitos de festivais brasileiros, que vai muito além das grandes cidades, as exibições cinematográficas se estendem até o sertão nordestino.  Acontecerá entre os dias 27 e 29 de agosto o Festival Cinema com Farinha &#8211; Festival Audiovisual do Sertão Paraibano, que terá sua quarta edição em Patos, cidade do sertão paraibano.<br />
Na programação deste ano, além das mostras competitivas de ficção, documental e animação, os destaques serão as mostras especiais Sertão, com produções locais, e de filmes convidados, que exibirá os longas ‘Alumia’, de André Ferraz e Carol Vergolino, e ‘Garapa’, de José Padilha.<br />
A abertura do festival acontecerá na sexta, dia 27, com o início das mostras competitivas. Serão exibidos os curtas ‘Celebridades Anônimas’, ‘Ser Humano’, ‘Vela ao Crucificado’, ‘Vírus’, ‘Espetáculo – O Mágico e a Domadora’, ‘Direita é a mão que você’, ‘O Divino, de Repente’ e ‘Do Morro?’. Na mostra especial será exibido o filme ‘Alumia’.<br />
No sábado, dia 28, a mostra competitiva exibirá os curtas ‘Muitos Anos de Vida’, ‘O Retorno de Saturno’, ‘Aos Pés’, ‘Maria de Kalú’, ‘A Pensão dos Caranguejos’, ‘Aula de Yoga .34’ e ‘Simpatia do Limão’. Na mostra especial será exibido o longa ‘Garapa’, de José Padilha.<br />
No domingo, a programação estará voltada para a exibição de curtas locais e a cerimônia de premiação. Na mostra Sertão serão exibidos os curtas ‘1930: O Sertão no Brasil’, ‘Francisca: A Fé de um Povo’, ‘Aos Pés das Preacas’, ‘Sobre Vidas’ e ‘Homos’. A programação encerará com a premiação e exibição dos curtas vencedores.<br />
O Festival Cinema com Farinha é promovido pela DS Produções e este ano será realizado sem apoio financeiro de empresas privadas e instituições públicas. &#8220;Apesar do festival já ter consolidado seu espaço e reconhecimento entre os eventos de cinema do país, haja visto o número de inscrições e a participação de vários estados, ainda não temos o apoio local de empresas e dos governos municipal e estadual, como geralmente acontece em cidades bem menores do que Patos&#8221;, destacou o jornalista Deleon Souto, diretor do Festival. &#8220;Independente de não contarmos com parcerias das empresas, ou mesmo, das secretarias de cultura do estado e município, realizaremos o festival dando o mesmo enfoque cultural. Continuaremos proporcionando este espaço de encontro para discussão e exibição da produção audiovisual brasileira&#8221;.<br />
Os filmes serão exibidos no auditório do Guedes Shopping e todas as sessões de filmes no Festival serão abertas ao público e terão entrada franca.</p>
<h3>PROGRAMAÇÃO</h3>
<h4>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 327px"><img title="Do morro?" src="http://www.dsproducoes.com/cinemacomfarinha/fotos%20filmes/doc_do%20morroo.JPG" alt="" width="317" height="187" /><p class="wp-caption-text">DO MORRO? de Mykaella Plotin e Rafael Montenegro </p></div>
<p>SEXTA (27 de agosto)</h4>
<p>[19h00] Abertura<br />
[19h15] Mostra Competitiva<br />
- Celebridades Anônimas [DOC / 20min]<br />
- Ser Humano [ANIM / 10min]<br />
- Vela ao Crucificado [FIC / 13min]<br />
- Vírus [DOC / 18min30]<br />
- Espetáculo – O Mágico e a Domadora [ANIM / 3min]<br />
- Direita é a mão que você escreve [FIC / 14min]<br />
- O Divino, de Repente [ANIM / 6min20]<br />
- Do Morro? [DOC / 20min]<br />
[21h00] Mostra Especial<br />
- Alumia [DOC / 55min]</p>
<h4>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 327px"><img title="Aos pés" src="http://www.dsproducoes.com/cinemacomfarinha/fotos%20filmes/fic_aos%20pes.jpg" alt="" width="317" height="194" /><p class="wp-caption-text">AOS PÉS de Zeca Brito</p></div>
<p>SÁBADO (28 de agosto)</h4>
<p>[19h15] Mostra Competitiva<br />
- Muitos Anos de Vida [DOC / 10min]<br />
- O Retorno de Saturno [ANIM / 12min]<br />
- Aos Pés [FIC / 18min]<br />
- Maria de Kalú [DOC / 13min30]<br />
- A Pensão dos Caranguejos [FIC / 15min45]<br />
- Aula de Yoga .34 [ANIM / 5min]<br />
- Simpatia do Limão [FIC / 9min30]<br />
[20h45] Mostra Especial<br />
- Garapa [DOC / 110min]</p>
<h4>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 327px"><img title="O DIVINO, DE REPENTE de Fábio Yamaji" src="http://www.dsproducoes.com/cinemacomfarinha/fotos%20filmes/ani_o%20divino%20de%20repente.jpg" alt="" width="317" height="191" /><p class="wp-caption-text">O DIVINO, DE REPENTE de Fábio Yamaji</p></div>
<p>DOMINGO (29 de agosto)</h4>
<p>[19h30] Mostra Sertão<br />
- 1930: O Sertão no Brasil [DOC / 17min]<br />
- Francisca: A Fé de um Povo [DOC / 16min]<br />
- Aos Pés das Preacas [DOC / 27min]<br />
- Sobre Vidas [DOC / 8min30]<br />
- Homos [DOC / 16min]<br />
[21h00] Premiação e Exibição dos Curtas Vencedores</p>
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		<title>Neoliberalismo como destruição criativa &#8211; Parte 1</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 23:08:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Sinistro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[crítica marxista]]></category>
		<category><![CDATA[david havery]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<category><![CDATA[neoliberalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: David Harvey &#8211; geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York O neoliberalismo atingiu o mundo como uma violenta maré de reformas institucionais e ajustamento discursivo, impondo muita destruição, não somente para as estruturas e poderes institucionais existentes, mas também para a estrutura da força de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-3095" href="http://jerimumbeta.com.br/neoliberalismo-como-destruicao-criativa-parte-1/david_harvey"><img class="alignright size-medium wp-image-3095" title="david_harvey" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/david_harvey-220x300.jpg" alt="" width="220" height="300" /></a><strong>Autor:</strong> David Harvey &#8211; geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York</p>
<p style="text-align: justify;">O neoliberalismo atingiu o mundo como uma violenta maré de reformas institucionais e ajustamento discursivo, impondo muita destruição, não somente para as estruturas e poderes institucionais existentes, mas também para a estrutura da força de trabalho, relações sociais, políticas de bem-estar social, arranjos tecnológicos, modos de vida, pertencimento a terra, hábitos afetivos, modos de pensar e outros mais. Para voltar à retórica neoliberal contra si mesma, deveríamos nos perguntar: a que interesses particulares serve o Estado quando adota uma postura neoliberal e de que modo esses interesses particulares utilizaram-se do neoliberalismo para beneficiar a si próprios, em vez de beneficiar a todos, como se proclama? O neoliberalismo gerou um leque de movimentos de oposição. Quanto mais claramente os movimentos oposicionistas reconheçam que o seu objetivo central deve ser enfrentar o poder de classe que foi tão efetivamente restaurado sob o neoliberalismo, tanto maior será a coesão entre eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O neoliberalismo é, em primeira instância, uma teoria sobre práticas de política econômica que afirma que o bem-estar humano pode ser mais bem promovido por meio da maximização das liberdades empresariais dentro de um quadro institucional caracterizado por direitos de propriedade privada, liberdade individual, mercados livres e livre comércio.</p>
<p style="text-align: justify;">O papel do Estado é criar e preservar um quadro institucional apropriado a tais práticas. Por exemplo, o Estado deve preocupar-se com a qualidade e a integridade da moeda. Ele também deve estruturar aquelas funções militares, de defesa, policiais e jurídicas necessárias para garantir os direitos de propriedade privada, e para apoiar o funcionamento livre dos mercados. Ademais, se não há mercados (em áreas como educação, saúde, previdência social ou poluição ambiental) eles devem ser criados pelo Estado, se necessário; mas o Estado não deve se aventurar para além dessas fronteiras. As intervenções do Estado no mercado (desde que ocorram) devem ser mantidas em um nível mínimo, pois ele não deve deter informações suficientes para antecipar os sinais do mercado (preços), e também porque os interesses poderosos inevitavelmente irão distorcer e influenciar as intervenções estatais (particularmente em democracias) em seu próprio benefício.</p>
<p style="text-align: justify;">As práticas atuais do neoliberalismo freqüentemente diferem desse modelo, por uma série de razões. Contudo, desde a década de 1970, houve em todo o mundo uma mudança enfática nas práticas político-econômicas e no pensamento, ostensivamente liderada pelas revoluções Thatcher/Reagan na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Um após outro, dos Estados modernos que emergiram do colapso da União Soviética até as democracias sociais tradicionais e os Estados de bem-estar social como a Nova Zelândia e a Suécia, todos abraçaram, às vezes voluntariamente, às vezes em resposta a pressões coercitivas, alguma versão da teoria neoliberal, ajustando correspondentemente algumas das suas políticas e práticas. A África do Sul do pós-apartheid rapidamente abraçou o modelo liberal, e mesmo a China parece estar caminhando nessa direção.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, os defensores do caminho neoliberal ocupam agora posições de considerável influência na educação (universidades e muitos think-tanks), na mídia, nos conselhos empresariais e em instituições financeiras (órgãos do Tesouro, bancos centrais) e também nessas instituições internacionais como o FMI e a OMC, que regulam as finanças e o comércio global. Em suma, o neoliberalismo se tornou hegemônico como tipo de discurso, disseminando-se pelos modos de pensar e pelas práticas político-econômicas a ponto de se incorporar ao senso comum com o qual interpretamos, vivemos e compreendemos o mundo. O neoliberalismo efetivamente atingiu o mundo como uma poderosa vaga de reforma institucional e ajustamento discursivo, e, embora seja grande a evidência de seu desenvolvimento geograficamente desigual, nenhum lugar pode proclamar-se plenamente imune a ele (salvo alguns países como a Coréia do Norte). Além disso, as regras instituídas pela OMC (regulando o comércio mundial) e pelo FMI (regulando as finanças internacionais) estabeleceram o neoliberalismo como padrão de regulação global. Todos os países que aderem à OMC ou ao FMI (e quem pode se dar ao luxo de ficar de fora?) concordam em se submeter a essas regras (embora com um ‘período de graça’, para permitir um ajustamento suave) ou a serem severamente castigados.</p>
<p style="text-align: justify;">A criação desse sistema neoliberal implicou obviamente muita destruição, não somente para as estruturas e poderes institucionais (como a suposta existência prévia de uma soberania estatal sobre os assuntos político-econômicos), mas também sobre a relações estruturais da força de trabalho, relações sociais, políticas de bem-estar social, arranjos tecnológicos, modos de vida, pertencimento à terra, hábitos afetivos, modos de pensar e outros mais. Torna-se necessária uma avaliação dos aspectos positivos e negativos dessa revolução neoliberal.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou alinhavar alguns argumentos preliminares que permitam entender e também avaliar essa transformação no modo global com que o capitalismo está funcionando. Isso requer chegar a um acordo sobre as forças subjacentes, interesses e agentes que impulsionaram a revolução neoliberal de forma tão inexorável. Para voltar a retórica neoliberal contra si mesma, deveríamos nos perguntar: a que interesses particulares serve o Estado quando adota uma posição neoliberal, e de que modo esses interesses particulares utilizaram-se do neoliberalismo para beneficiar a si próprios, em vez de beneficiar a todos, em todas as partes, como se proclama?  (<strong>Continua na próxima semana</strong>)</p>
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		<title>Como se tornar um homem de gênio</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 18:32:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Sinistro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Se há entre os meus leitores jovens que aspiram tornar-se líderes do pensamento da sua geração, espero que evitem certos erros em que caí quando era novo por falta de bons conselhos. Quando desejava formar uma opinião sobre um certo assunto, costumava estudá-lo, avaliar os argumentos a favor dos diversos pontos de vista e tentar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-3077" href="http://jerimumbeta.com.br/como-se-tornar-um-homem-de-genio/23351050c6169a7a"><img class="alignright size-medium wp-image-3077" title="23351050c6169a7a" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/23351050c6169a7a-207x300.jpg" alt=" s" width="207" height="300" /></a>Se há entre  os meus leitores jovens que aspiram tornar-se líderes do pensamento da  sua geração, espero que evitem certos erros em que caí quando era novo  por falta de bons conselhos. Quando desejava formar uma opinião sobre um  certo assunto, costumava estudá-lo, avaliar os argumentos a favor dos  diversos pontos de vista e tentar chegar a uma conclusão ponderada.  Descobri depois que esta não é a maneira de fazer as coisas. Um homem de  gênio sabe tudo sem precisar estudar; as suas opiniões são pontificais e  o seu caráter persuasivo não depende de argumentos, mas do estilo  literário. É necessário ser parcial, pois isso facilita a veemência que é  considerada uma prova de força. É essencial apelar a preconceitos e  paixões de que os homens se começaram a sentir envergonhados, bem como  fazer isso em nome de uma nova ética inefável. É bom rebaixar as mentes  lentas e tacanhas que exigem dados para chegar a conclusões. Acima de  tudo, deve-se apresentar aquilo que é mais antigo como se fosse a coisa  mais inovadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta receita para ser gênio não é nova. Foi seguida por Carlyle no  tempo dos nossos avós, por Nietzsche no tempo dos nossos pais e tem sido  seguida no nosso tempo por D. H. Lawrence. Os discípulos de Lawrence  pensam que ele anunciou toda uma nova sabedoria sobre as relações entre  homens e mulheres. Na verdade ele voltou atrás, defendendo o domínio dos  homens que nós associamos aos homens das cavernas. Na sua filosofia, as  mulheres existem apenas como uma coisa macia e gorda para repousar o  herói quando este regressa das suas ocupações. As sociedades civilizadas  têm aprendido a ver mais que isto nas mulheres, mas Lawrence não quer  nada da civilização. Ele quer limpar o mundo para manter o que é antigo e  obscuro e adora os vestígios da crueldade asteca no México. Os jovens,  que têm aprendido a comportar-se, leem-no naturalmente com prazer e  andam por aí a proceder como homens das cavernas na medida em que os  costumes da sociedade educada o permitem.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos elementos de sucesso mais importantes para te tornares um  homem de gênio é aprender a arte da denúncia. Deves fazer sempre as  denúncias de maneira a que o leitor pense que são os outros que estão a  ser denunciados e não ele próprio. Assim ele ficará impressionado com o  teu nobre desdém, enquanto que se pensar que o estás a denunciar vai  considerar-te culpado de impertinência malcriada. Carlyle comentou: “A  população de Inglaterra é de vinte milhões de pessoas, sobretudo  idiotas.” Todos os que leram isto consideraram-se uma das exceções, e  por isso apreciaram o comentário. Não podes denunciar classes bem  definidas, como pessoas com mais que um certo rendimento, habitantes de  uma certa área ou crentes num certo credo definido, pois se o fizeres  alguns leitores perceberão que a tua invectiva se lhes dirige. Tens que  denunciar pessoas cujas emoções são atrofiadas, pessoas às quais só o  estudo penoso pode revelar a verdade, pois todos sabemos que essas são  outras pessoas, e por isso veremos com simpatia o teu poderoso  diagnóstico dos males da época.</p>
<p style="text-align: justify;">Ignora os fatos e a razão, vive inteiramente no mundo das tuas  próprias paixões fantásticas criadoras de mitos; faz isto empenhadamente  e com convicção, que assim te tornarás um dos profetas da tua época.</p>
<div>
<div>
<ul>
<li>autor:<strong> Bertrand Russell </strong></li>
<li>fonte:  <a href="http://www.intelectu.com/intelectu_archive_win_07_09.html">Intelectu</a></li>
<li>original: <em>How to Become a Man of Genius</em>, Hearst newspapers column, 1932.</li>
</ul>
</div>
</div>
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		<title>O grande palco chamado Política</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 18:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Sinistro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papéis avulsos]]></category>
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		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[De início é bom esclarecer que este texto não pretende fazer panfletagem de nenhum candidato em particular, muito menos um partido uma vez que não sou filiado a nenhum, mas seria faltar com a verdade assumir uma postura de neutralidade quando o assunto é política (postura esta que é praticamente impossível possuir). Apesar de não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-3063" href="http://jerimumbeta.com.br/o-grande-palco-chamado-politica/images"><img class="alignright size-full wp-image-3063" title="images" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/images.jpg" alt="" width="285" height="177" /></a>De início é bom esclarecer que este texto não pretende fazer panfletagem de nenhum candidato em particular, muito menos um partido uma vez que não sou filiado a nenhum, mas seria faltar com a verdade assumir uma postura de neutralidade quando o assunto é política (postura esta que é praticamente impossível possuir). Apesar de não crer que os que são chamados de “esquerdistas” hoje no Brasil possam receber tal denominação, me considero da esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, não é novidade alguma ver candidatos políticos se confrontando em meios de comunicação de massa, principalmente em debates políticos, onde perguntas são feitas e respostas convincentes são aguardadas. Nada de anormal até esse ponto, mas precisamos ficar atentos aos mitos cultivados, aos apelos que nos lembram teorias conspiratórias que beiram ao ridículo e as falsas imagens que alguns partidos vendem.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente me deparei com alguns absurdos que me lembram os discursos elaborados pelos republicanos dos EUA para fazer oposição ao governo Obama, que não possuem qualquer argumento relevante e válido, apenas a utilização de imagens deturpadas/manipuladas de ideias ou fatos históricos. Afirmações do tipo “Não votarei em candidatos que querem o terrorismo comunista no Brasil” ou “Não suporto esquerdistas por que eles querem transformar o Brasil e uma nova União Soviética”.</p>
<p style="text-align: justify;">São declarações falsas que foram criadas e alimentadas pela direita norte-americana nos tempos da Guerra Fria. A associação do comunismo ao demônio é um exemplo clássico, assim como a primeira declaração que citei que relaciona comunismo com terrorismo, cultivada pelos militares de vários países latino-americanos para justificar golpes de estado e chamar de terrorista qualquer opositor dos regimes totalitários.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da ditadura militar não render boas lembranças a quase ninguém, esses pensamentos arcaicos de que a esquerda seria uma aliança maligna pronta para acabar com tudo ainda persiste, infelizmente.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda declaração que citei deixa clara a ingenuidade e ignorância dos indivíduos que a defendem. Ouso dizer que as pessoas que acham que comunismo foi o que aconteceu na Rússia precisam ler mais e ver que de comunismo a União Soviética não teve nada, assim com a China não tem; assim como a Coréia do Norte não tem e a lista só aumenta, mas não cabe a mim me alongar neste assunto agora, já que pretendo escrever outro texto a respeito desse tema. De qualquer forma, aqueles que estão “tremendo” de medo com a possibilidade de uma “revolução bolchevique” caso Dilma seja eleita podem dormir tranquilos, pois os oito anos de governo Lula deixaram evidentes que tanto o Lula como o PT não são mais os mesmos do passado que faziam barulho e etc. Viraram somente mais um partido como todos os outros que de socialismo nada almejam, só almejam nossos votos e as somas em dinheiro exorbitantes que recebem das iniciativas privadas para financiamento de campanha.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim permanece o mundo da política, com um lado ocupado por pseudo-sociais democratas que espalham mitos arcaicos e ignorância pura para deixar a classe trabalhadora cada vez mais dividida e, do outro lado, petistas vendem a imagem falsa de que são socialistas que lutam a favor do povo e dos trabalhadores. Isso só deixa evidente que o mundo da política é um palco, mas poucos enxergam isso. Os atores que se apresentam nesse palco mudam de quatro em quatro anos, mas os bastidores continuam os mesmos. Nesse mundo não existe revolução verde; revolução comunista; igualdade social; segurança; distribuição de renda; reforma agrária ou o que quer que seja. Neste mundo existem apenas os mesmos manipuladores e as mesmas estratégias para iludir cada brasileiro de que o auge da liberdade e da democracia é digitar um número em uma urna eletrônica e apertar um botão verde em seguida.</p>
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		<title>Ainda sobre Patrimônio Histórico &#8211; II</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 22:18:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lau Cariri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lau Cariri]]></category>
		<category><![CDATA[Papéis avulsos]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu faço a indicação como um dos melhores filmes que já vi. Mas não tenho em alta consideração Narradores de Javé apenas porque trata de um assunto que me interessa pela formação acadêmica-profissional. Não é filme apenas pra Historiador ou Antropólogo ver e ficar discutindo com seus pares. Mas como a discussão sobre patrimônio e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/narradores-de-jave02.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3052" title="narradores-de-jave02" src="http://jerimumbeta.com.br/wp-content/uploads/2010/08/narradores-de-jave02.jpg" alt="" width="300" height="196" /></a>Eu faço a indicação como um dos melhores filmes que já vi. Mas não tenho em alta consideração <a href="http://www.youtube.com/watch?v=GlaFRraqeOg"><em>Narradores de Javé</em></a> apenas porque trata de um assunto que me interessa pela formação acadêmica-profissional. Não é filme apenas pra Historiador ou Antropólogo ver e ficar discutindo com seus pares. Mas como a discussão sobre patrimônio e preservação já foi iniciada, e como o filme aborda o tema, gostaria de discuti-lo com vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">É muito simples. A comunidade de Javé, no Sertão nordestino, precisa ser desocupada porque está dentro da área de alagamento em conseqüência da construção de uma hidrelétrica. A situação não é excepcional no Brasil, no Nordeste principalmente. A discussão, bastante conhecida entre historiadores e cientistas sociais, sobre a importância que a escrita assumiu na Modernidade, já se inicia logo de cara: Javé não estava no mapa. Mais que isso: os habitantes ocupavam suas propriedades sem possuir qualquer documento, qualquer escritura oficial. Só pra pincelar o assunto, trata-se do processo de oficialização de tudo que diz respeito entre o Estado e as pessoas e isso é muito recente na História ocidental, ainda mais no Brasil. Esta relação só pode ser feita mediante documentos, logicamente escritos. Em termos práticos, a moeda de troca das relação entre povo e Estado é a escrita pública. Até o século XIX no nosso país, quando o Império começou a estabelecer métodos oficiais para demarcação de terras e, dessa forma, poder emitir títulos de posse de validade reconhecidos pelo Estado, muito raramente as terras possuíam documentos. O reconhecimento era por meio de costumes, memórias, &#8220;de boca&#8221;; fronteiras eram delimitadas por marcos geográficos ou de naturezas diversas. Vale dizer que isso sempre gerou conflitos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Javé só poderia ser salva das águas se tivesse uma história. Escrita. Havendo a comprovação, nos termos estabelecidos pelo Estado e seus órgãos responsáveis em normatizar o que é patrimônio histórico, de que Javé tem História (com H maiúscula), seus habitantes podem ter uma chance. Ironicamente, todos lá são analfabetos. Mas eles já não tinham história? Melhor: eles precisavam pensar nisso? Só houve necessidade de escrever e registrar a História do local quando este se viu na iminência de ser destruído? Entre historiadores e antropólogos-etnógrafos isso é indício de que só é digno de nota aquilo que está morrendo, em vias de morrer ou que morreu neste instante &#8211; e que precisa ser periciado rapidamente antes que as evidências desapareçam. É nesse aspecto que um livro como <em>Casa Grande &amp; Senzala</em> é uma espécie de prece fúnebre para a sociedade patriarcal brasileira. A angústia desesperada em relatar tudo no maior número de detalhes possível é o reconhecimento em face da inexorabilidade destruidora do tempo. Além disso, a própria escrita é como o canto da <a href="http://pt.wiktionary.org/wiki/rasga-mortalha">Rasga Mortalha</a>: quando ouvido, é um mau-presságio de que alguém vai morrer. A escrita acelera a morte daquilo que registra.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O único capaz de executar a missão é o carteiro, Antonio Biá, interpretado pelo ator paraibano<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Dumont"> José Dumont</a>. Ele faz as vezes de historiador, intelectual e excêntrico. Não quero contar aqui todo o filme porque espero que vocês vejam. Mas ressalto aquilo que será o grande muído do enredo: como juntar todas as memórias dos narradores de Javé e transformar isso numa História em moldes &#8220;científicos&#8221;, acadêmicos, aprovados pelas regras institucionais do Estado e, como se não bastasse, uma história de Grandes Feitos, semelhantes aos que gerarariam um quadro como o d&#8217;<a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/Americo-ava%C3%AD.jpg"><em>A Batalha de Avaí</em></a> que, embora o autor nunca tenha estado na cena, ele imaginou-a, ou tinha que imaginá-la, como grandiosa?  (Sobre essa tela, é curioso que, sim, de fato, Pedro Américo não presenciou a Guerra do Paraguai &#8211; mas ele se inseriu nela, quase ao centro do quadro, como um soldado olhando pasmo, para fora, para o expectador, como quem pergunta: que insanidade é essa?) Pois todo mundo que chegue conta uma versão diferente de como Javé surgiu e o historiador precisa aparar as arestas, confrontar memórias com outros documentos. Seguir um método. Mas isso é possível cartesianamente? É possível não se &#8220;apaixonar&#8221; por uma das versões? Ou pior: quando o historiador registra, ele não está registrando a <em>sua</em> versão? Alterando, selecionando, aumentando, diminuindo, acrescentando ou excluindo aquilo que colheu das fontes? Como dar conta da <em>memória interessada</em> dos que contam se todos narram, como dizem os antropólogos, o &#8220;mito fundador&#8221; da comunidade de um jeito? E cada qual sempre querendo tirar proveito colocando-se ou como parente e herdeiro direto do &#8220;herói civilizador&#8221;, aquele que guiou as pessoas caatinga adentro e decidiu assentar todos no local aonde Javé surgiria, numa espécie de Êxodo mítico que também lembra muito a fundação de Macondo em <em>Cem Anos de Solidão </em>pelo patriarca José Arcadio Buendía; ou de algum jeito próximo desse herói ou ainda, radicalizando, como a mulher que diz que quem fundou Javé foi na verdade sua avó. A história vira um território de disputa que anima toda o povoado que festeja e briga por seu passado às margens da enchente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ao fim e ao cabo, o filme mostra também, ainda que muitos discordem, quem um fim pode ser apenas um ponto dentro de uma trajetória cíclica e, portanto, não é um fim, mas onde a história começa a se repetir.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas, como eu disse, não é filme só pra acadêmicos. Garanto que todos se divertem para além dessa minha verborragia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>Este texto faz parte da seqüência iniciada <a href="http://sdcaustica.blogspot.com/2010/07/queda-da-memoria.html">aqui</a> e <a href="http://sdcaustica.blogspot.com/2010/08/ainda-sobre-o-patrimonio-historico-i.html">aqui</a>, no Soda Cáustica.</em></p>
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