É necessário perder a piada. #Spoiler


Ontem rolaram 2 imagens que renderam num debate bem interessante pela internet: uma publicidade americana da Microsoft exibia 3 pessoas de diferentes etnias, sendo que a mesma publicidade, agora polonesa, exibia no lugar do negro, um caucasiano. Esta ação publicitária revoltou alguns grupos que passaram a alertar o mundo através de posts, propaganda e e-mails por todo o mundo.

Mas será mesmo racismo?

É notório que a perseguição pela raça negra perdura entre a sociedade até hoje, mas o fato de alertar sobre uma provável e não formalizada ação racista, não seria por si só uma ação racista?! Lembrem-se que eu disse não formalizada.

Para explicar melhor: desacredito muito que a Microsoft e Bill Gates ou seu publicitário não usem cones brancos na cabeça nem fiquem conspirando ou maquinando contra um ou outro grupo. Ora! São seus clientes também, não são? Eu acredito na falta de intenção… Na probabilidade igual em tirar o rosto do senhor negro ou do rapaz asiático ou da mulher branca. Achar racismo ASSIM é acusar o seu próprio. É notar que o sentimento racista pode estar vivo em em desenhos da Disney, nos discos dos Beatles ou na publicidade da Microsoft.

É necessário perder o sentimento racista, seja ele ativo ou passivo ou vigilante. É necessário esquecê-lo e perder a piada.

Imagens: Guanabara.info

16 comentários

  1. Lau Cariri says:

    Os romanos encaravam os bárbaros como agentes do fim do mundo e no fundo o que os bárbaros queriam era ser como os romanos. Talvez, sim, estes romanos até soubessem disso e justamente por não verem condições de suportar a si mesmos refletidos nos outros, nos bárbaros, que tinham tanto horror àqueles seres que ficavam nas fronteiras do seu Império. Os romanos sabiam a desgraça que eles próprios eram. As entidades de direitos civis, hoje, não podem se comportar como os bárbaros, portanto. Elas devem implodir o mundo deles e o dos romanos de hoje, tudo junto!

  2. Lau Cariri says:

    Só pra não perder a viagem: eu não duvido que parte das pessoas que se incomodaram queria somente ver o rosto de um sujeito negro, em pose de gente importante, bem sucedida, austera, mas ao mesmo tempo sorridente, como na foto da publicidade. Nada contra isso. Tem a ver com aquilo que eu falei sobre a visibilidade social. No entanto, como isso serve única e exclusivamente ao propósito de GANHAR DINHEIRO, acredito que os direitos civis de quem quer que seja vai muito além de lutar para se ter uma fotografia num outdoor de um negro, um gay ou asiático dentro do mundo WASP, como conhecemos, com o intuito de ganhar mercado. O capital é como a Mão de Midas, tudo que toca vira ouro – ou necessariamente tem que virar ouro. Tampouco acho que a luta pelos direitos civis deva encampar bandeiras, porque as bandeiras mostram – aí sim – o desejo de perpetuar o preconceito através da separação, da vigilância paranóica. E mais: muitas entidades de direitos civis não percebem que a luta que fazem é pelo direito de ser iguais aos Outros, participar do mundo desses Outros (um mundo, diga-se de passagem, viciado em preconceitos, ruindades, etc.)

  3. Olha, eu acho racismo, eles não tiraram o asiático, por exemplo, foi só o negro… td bem que isso deve ter aproximado mais os clientes da propaganda, mas é racismo velado sim…

  4. carol_ says:

    Sobre o artigo acima postado só tenho uma coisa a dizer:
    a segunda foto deveria ir para o blog Photoshop Disasters (se é que já não está lá…), pela péssima montagem feita!

  5. Rondinelly says:

    Neto, chefe do setor de reportagem-viral e Cariri, nosso CEO em Campinas,
    vocês fizeram um bom trabalho de desencadeamento sobre um tema delicado, mas a nossa pretensão de que o caso virasse um boom não vingou. O Bill (Gates) acabou de me ligar dizendo que essa onda de provocar discussões sobre direitos civis a partir de escândalos publicitários não serve para os propósitos da Microsoft, ferindo justamente os dois princípios regulamentares da nossa organização secreta:
    art. 1 Jamais renunciar a adentrar e assumir os códigos, costumes, tradições e modos de pensar de qualquer grupo humano do mundo (ainda que pareçam racistas, fascistas ou anti-democráticos);
    art. 2 Nunca tentar modificar ou transgredir esses códigos da linguagem, sob pena de queda dos lucros, ainda que para isso tenha que reforçar preconceitos presentes de forma sutil na linguagem.
    Parágrafo Único. Quanto mais pessoas acreditarem na omissão e na naturalidade como forma de respeito, melhor para o crescimento de nosso mercado, já que não será preciso desagradar alguma parcela dos consumidores, nem será necessário contratar publicitários atentos aos direitos mínimos das minorias serem reconhecidas como tal.

    Para a publicidade, tanto quanto para a nossa organização, lembrem: os fins não só justificam os meios, eles fabricam os meios.

  6. Erick says:

    Nem é racismo, só acho que poderiam fazer um trabalho melhor na foto, o cara tá mo bronzeado na mão, hehe.

    Como o cara ai de cima disse: "[...] , quem se sentir ofendido que reclame, mas nós deveriamos ter "nojo" é desses falsos moralistas que acusam os outros de racismo [...]"

  7. L P says:

    Duvido que seja racismo ._. quando tu faz uma propaganda tu tem o direito de modifica-la do jeito que vc quiser, provavelmente a unica ação de racismo foi desse povo que acusa o racismo dos outros ._. #palhaçada

    Igual ao caso do RE5, dizendo que era racismo matar os zumbis negros na africa -.-

    Isso não é racismo, quem se sentir ofendido que reclame, mas nós deveriamos ter "nojo" é desses falsos moralistas que acusam os outros de racismo, é same old shit, time and time again…

    • Lau Cariri says:

      Bom, eu já discordo de Neto e do comentário acima. Sei, no entanto, que há uma ponta de hipocrisia quando as megamarcas fazem publicidade usando um exemplar de cada "espécime" humano, para fazer a tal "publicidade politicamente correta". Isso é meio o que ocorre no Brasil nas propagandas do alistamento militar, onde mostram um negro, um branco e um índio servindo ao Brasil (reflexo da velha, e motivo de briga onde quer que vá, teoria da "democracia racial" proposta por Gilberto Freyre – mas isso são outros 500), exemplificando que essas três "raças" fizeram nosso país e que elas convivem em relativa harmonia. Apesar de termos uma particularidade no tratamento do racismo, em relação, por exemplo, aos EUA – onde lá o negócio é rasgado – ainda assim, há racismo no Brasil.

    • Lau Cariri says:

      Pois bem, numa situação livre de preconceitos, eu concordo que não deveríamos ser vigilantes sequer, ou racistas ativos ou passivos, como diz Neto. Na verdade, numa situação sem racismo, nem pensaríamos nisso e Neto sequer teria escrito essa postagem. No entanto, eis meu ponto de vista: há que se falar sim; há que se denunciar o racismo, inclusive nessa publicidade. Sabem por quê? Ora, Neto, houve intenção sim da Microsoft em vender a imagem de um produto para todos, inclusive negros. Faz parte das novas políticas de "branding" das empresas atuais nos EUA (eu recomendo um livro de Naomi Klein, "Sem Logo" pra se observar isso). Se fosse nos anos 1980, a Microsoft não teria posto nem esse asiático. O que eu acho estranho é que para muita gente, em concordância com Naomi Klein fala no livro, é que toda a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA, desde os anos 1950, quando a ferida estourou espalhando pus pra todo lado, tenha se resumido, no fim, a aparição de um negro num comercial do McDonald's.

    • Lau Cariri says:

      Diz Naomi Klein que o "branding", a publicidade das megamarcas, cooptou o movimento de direitos civis que buscava dar visibilidade aos grupos discriminados (e temos que concordar que quem é discriminado não é socialmente visível, é escondido ou tem que se esconder) e deu sim visibilidade a eles, só que nas propagandas dos tênis Nike e das camisas Tommy Hilfiger. É claro que uma empresa tem autonomia pra decidir como fazer sua publicidade. Vocês devem estar atentos para o fato de que lá na Europa o racismo também é rasgado, de que se eles tiram uma imagem de um negro pode ser por racismo e nada mais. Aqui no Brasil isso daria muita dor de cabeça pra identificar onde está e se foi racismo. Mas lá não, nem nos EUA. Lá, se modificarem uma imagem como essa, é no mínimo questionável. E eu acho que eles não seriam tolos ao ponto de "formalizar" o racismo, Neto, apesar de que apenas 30 anos atrás muita gente nos EUA não tinha o menor pejo de mandar um negro pegar outro ônibus: o ônibus dos negros.

    • Lau Cariri says:

      Acho que isso eles aprenderam com nós, brasileiros, nossa dissimulação frente a atitudes racistas virou tipo "export made in Brasil" pra eles. Eu não digo que as entidades de direitos civis resumam suas lutas em ter um negro segurando um DVD do Windows 7 num comercia no Superbowl, assim como um índio amazônico tomando uma Skol redondamente gelada. Mas acho que a vigilância é inimiga da omissão para casos de qualquer tipo de preconceito. E ser omisso é muito perigoso. A omissão é uma doença da qual padecem muitos intelectuais. Muitos intelectuais alemães jamais imaginaram que o partido nazista chegaria ao poder. Eles pensavam: quem, esse baixinho com essas idéias? Ele nunca vai convencer o povo alemão, um povo voltado para as artes, para a cultura, para a elevação do espírito e para a liberdade. E se omitiram, deixaram que esse povo impedisse por si mesmo que aquele sujeitinho chegasse à chancela do Estado. E o que houve?

    • Lau Cariri says:

      Pois bem, esses intelectuais passaram o resto da vida amargando a omissão, se sentiram culpados, inclusive, pelo que aconteceu. E a omissão chega ao perigo maior quando se vira contra o próprio oprimido, contra aquele com quem justamente devemos estar. E aí criticamos o sujeito que não gostou daquele jogo só porque nele você joga como um americano branco, de cabelos loiros, forte, bonito que foi matar zumbis negros na África porque, afinal, a África nunca foi colonizada, nunca teve uma situação de um general como Churchill cujo passatempo preferido era criar Estados no continente africano apenas riscando com caneta um mapa que ele tinha no seu gabinete, nunca foi vítima de genocídios, Nelson Mandela era um otário, o apartheid acabou, os tempos são outros, etc, etc, etc., e que, portanto, não existe fundamento na crítica desse jeito em não ter gostado. Ah, e o fato de ele ter a cor da pele negra não tem nada a ver com isso também…

      • netozeppelin says:

        Então por que inserir o negro na primeira propaganda? Se há este tipo questionamento dentro da própria agência de publicidade que ampara a Microsoft, ela nem colocaria um homem negro na primeira propaganda.

        E minha palavra não é por omissão ao racismo. É procurar qualquer referência como tal. No momento em que a Microsoft pediu desculpas pelo que fez, não foi por cometer um ATO RACISTA, mas por fazer algo que deixe as pessoas lerem essa mensagem ao comparar as duas propagandas.

        O problema não é se omitir. É se armar contra QUALQUER mensagem NÃO FORMALIZADA.

        • Rondinelly says:

          Mas essa é a questão, Neto. Se não tivessem tirado o negro, estaria tudo ás mil maravilhas para os que você chama de "vigilantes". a pergunta é exatamente a sua, só que pela outra ponta: por que tirar o negro na segunda propaganda? por que essa necessidade de uma formalização tão mascarada de não-formalização?

        • Lau Cariri says:

          No caso dos EUA, há um apelo muito forte pela presença de pessoas negras em publicidade de qualquer coisa. Do ponto de vista do "branding" isso inclusive vende mais. Chegaremos ao ponto de além de uma empresa de papel usar um selo na embalagem que diz que não desmata florestas na Amazônia, teremos a Microsoft que colocará na caixa do DVD dos seus programas o selo "usamos negros em nossas publicidades". E os consumidores comprarão o Microsoft Office por causa desse selo e não comprarão algo da Adobe por não usar. Duvida? Pois é, do ponto de vista comercial, de vendagem, a Microsoft pôs o negro na primeira imagem, uma publicidade para os EUA, pra vender mais mesmo e pronto.

        • Lau Cariri says:

          Já o motivo de a imagem ser alterada na Polônia, o buraco é mais embaixo. Acredito que o preconceito mais FORMAL que isso não dava pra ficar. Porra, eles tiraram a cabeça do cara negro e puseram um branco. E ficou mal feito demais. Mais FORMAL só se eles botassem uma legenda explicando que alteraram a imagem. Do contrário, quais seriam os motivos realmente muito plausíveis de os poloneses retirarem o rosto do negro? É porque na Polônia todo mundo enxerga em tons de cinza e aí se for negro, branco, amarelo, dá no mesmo? E a Microsoft não iria querer um escândalo, justamente ela que faz a política do "Windows é para todos". Ela alterou novamente a imagem e pode ter se desculpado não por uma atitude racista, mas porque as pessoas puderam ler a alteração como racismo, mas tenha certeza que nos bastidores, lá na Polônia, cabeças rolaram literalmente.

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