Contemporânea: A fórmula do Olho Mágico
Lembro que, por volta dos meus 10 ou 11 anos, um tio mostrou-me um livro de capa vermelha com uma imagem abstrata no centro, intitulado Olho Mágico: uma Nova Maneira de Ver o Mundo, de Martins Fontes, e me falou que era um livro com ilustrações em 3D. Porém, cada página do livro estava recheada com imagens abstratas, que não se pareciam nada com 3D, então com calma, meu tio ensinou-me a olha-las de forma correta, e comecei a ver o que o título do livro sugeria. Sem exagero, era realmente uma mágica ver aquela imagem vindo pra minha frente e tomando forma de cavalo, extra-terreste, coração, e outras formas geométricas esquisitas que pareciam estar flutuando na minha frente.
Alguns anos depois, lembrei-me daquelas imagens e descobri que são chamadas de Autostereogramas (mais espeficicamente, Randon Dot Autostereograms), que são ilusões de ótica baseadas em Estereogramas. Em 1838, Charles Wheatstone criou o estereoscópio, que capacitava uma pessoa ver uma imagem 3d a partir de uma imagem 2d (estereograma). Os estereogramas só podem ser visto com o estereoscópio, porém, quando dispostos lado a lado, e vistos de forma desfocada (convergendo os olhos para a ponta do nariz, e lentamente olhando para a imagem), causam o mesmo efeito 3d que o estereoscópio proporciona (técnica do autoestereogramas). Veja o exemplo:

Em 1849, David Brewster descobriu os autostereogramas, que por sua vez, não precisam de estereoscópios para serem vistos. Ele notou que se fixarmos o olhar de forma convergente, em várias desenhos repetidos horizontalmente (padrões), irá formar um objeto virtual acima e abaixo da tela, dando a impressão de terceira dimensão. Veja o exemplo:

Um século depois, Em meados de 1959, Béle Julesz e MacArthur Fellow, baseados nos autostereogramas, inventaram o Random Dot Stereogram (estereograma de manchas aleatórias), que consiste em padrões de imagens em forma de manchas, agrupadas por meio de computador de tal forma, que quando vistas com um estereoscópio, causa um efeito de profundidade (3d), e as manchas aparecem na frente ou atrás da imagem atual. Baseado nos estudos feitos por Julesz e Fellow, Christopher Tyler e Maureen Clarke, em 1979, combinaram a teoria do autostereograma (repetida horizontalmente vária vezes uma imagem) com a teoria do Random Dot Stereogram (agrupando vários pontos aleatórios), e resultou na primeira Random Dot Autostereogram, ou seja, o primeiro Random Dot que poderia ser visto sem o auxílio do estereoscópio, pela técnica do autostereograma. Veja o exemplo abaixo de um Random Dot Autostereogram que forma um Jerimum (coincidência?
):

A técnica para conseguir enxergar um estereograma, consiste em tentar desfocar a imagem, realizando um movimento de estrabismo convergente (vulgo, ficar “zarolho”). Não pode converger os olhos nem muito, nem pouco. Existe um local correto que quando seus olhos convergem, a imagem em terceira dimensão aparece. Para facilitar, você pode tentar fazer força para olhar a ponta do seu nariz e lentamente ir olhando para imagem. O segredo é conseguir sustentar o olhos numa posição convergente de modo a achar o ponto ideal para a imagem se formar.
Muitos sites possuem galerias de imagens com Autostereogramas e Random Dot Autostereogramas. Você pode encontrar muitas ilustrações bacanas nesses links: Magic Eye, Stereo Gallery, Magic Eye 3ds, Google images
Fonte: Wikipédia Stereogram, Wikipédia Autostereogram, Wikipédia Random Dot Stereogram, Blog virgilio freire

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Nem lembro mais onde li, mas parece que a técnica foi (ainda é?) usda para mensagens criptografadas em espionagem. Achei um exemplo na NET ( http://www.gluon.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/03/magic-eye.gif ) e gostaria de saber como faço para construir um texto assim…
Como assim “construir um texto assim”?
Olá Hercules, gostaria de fazer essas imagens. Baixei aqui o programa bigle e o Stereogram Explorer. Mas não consigo usa-los. Pode me ajudar? Obrigada!
Hércules? O menino muito bom? ( se não for, desconsidere)
Cara. Tem que usar(fumar, beber, absorver) alguma coisa ?
Antes de qualquer coisa meu olho começou a lacrimejar e aí é que não vi mais nada!
Valeu pelo post. Nunca tinha ouvido falar nisso especificamente.
Valeu cara, abraço!!
Excelente, Hércules! Poucas vezes uma coisa da qual nunca ouvi falar me aparece de forma tão interessantes. Mas, ou eu tenho um problema de interpretação de texto, ou eu tenho um problema na musculatura ocular. Ou os dois! O fato é que não consegui concluir o exercício…
Grande, Rondinelly! Seguinte cara… Para conseguir ver os autostereogramas, você precisa conseguir ficar “zarolho” (converger os olhos)… Uma vez sendo capaz disso, fique aproximadamente 30 ou 40 cm de distancia da tela do monitor, e tente converger os olhos o máximo que você puder (isso vai causar uma visão dupla da imagem, e um desfoque acentuado), depois, lentamente (bem lentamente mesmo) vá divergendo sua visão. Chegará um momento que a imagem começará a tomar foco, isso significa que você está proximo de completar o exercício. É ai que você precisa ter calma e ir mais lentamente ainda, até o momento que a imagem comece a se formar em terceira dimensão (nesse momento, você nao pode diverger mais sua visão, pois assim você acabará perdendo o efeito estereoscópico de ver a imagem em 3d)… Caso não consiga me avisa que a gente tenta outros métodos. Abraço!
Opa! como recente aficionado pela estereografia, boa parte do que está aqui já tinha ouvido falar ou conhecia bem. O trabalho do Brewster: "The Stereoscope" inclusive fez parte da minha monografia da faculdade. Mas, ainda assim, não tinha associado esse trabalho ao random dots, por exemplo. Valeu pelo enriquecimento no tema! parabéns
Ótimo! Com o Hércules também escrevendo para o contemporânea, fica com maior frequência de artigos. Muito bom!