Contemporânea: A Revolução Islâmica

Em 1978 ocorreu o maior protesto já realizado em solo Iraniano. O povo foi às ruas para exigir o fim do governo monarquista centralizador e exigir mudanças. O governo era fortemente ligado com o ocidente, e a maioria da população islâmica pedia um governo mais ligado aos costumes e crenças locais. O cargo mais elevado do país na época era o Xá, o equivalente a rei nas monarquias ocidentais, e quem ocupava tal cargo era Reza Pahlevi, um Xá autoritário que não dava brechas para a oposição. O seu maior adversário e mais tarde o pai da Revolução Islâmica, Aiatolá Khomeini, estava exilado na França desde 1964.

O Aiatolá Khomeini ascendeu como o “Guia Supremo”, sendo este o cargo político e religioso mais alto do Irã até hoje. Khomeini também convocou eleições para presidente. No caso, o Presidente ocuparia o poder executivo, enquanto o Aiatolá age como um mediador entre os três poderes (executivo, legislativo e judiciário).
Uma grande parcela da população buscava mudanças e via esperança de liberdades individuais na revolução islâmica, mas o que realmente encontraram foi um regime ainda mais autoritário, com um forte radicalismo religioso e conservador. Seguindo as regras do Corão, o consumo de álcool foi proibido, as mulheres tiveram que usar cobrir as faces e foi proibido o uso de roupas do ocidente, assim como surgiu uma forte repressão aos opositores do governo.
Os castigos corporais foram colocados em prática como punição para quem violasse os preceitos da sharia (sexo fora do casamento, consumo de álcool, adultério), e várias execuções de opositores do governo foram realizadas, assim como prostitutas, homossexuais, marxistas e judeus também foram executados. O país se tornou símbolo do autoritarismo e o isolamento para com o mundo ocidental só aumentou.
Para manter revolução islâmica, foi criado o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica, contando, atualmente, com mais de 120.000 pessoas.

Esta força militar não está inteiramente ligada ao resto das Forças Armadas do Irã, contando com suas próprias unidades navais e aéreas. O exército de guardiães é acusado de fornecer armamentos a grupos terroristas no Iraque, Líbano e Faixa de Gaza.
Em 2005, Mahmoud Ahmadinejad, membro do partido conservador, foi eleito presidente e com ele foi iniciado um programa de enriquecimento de urânio. O ocidente acusa o país de produzir armas nucleares e de planejar ataques a Israel, país que o presidente Ahmadinejad já afirmou que deveria sumir da face da terra. Contudo, as autoridades iranianas afirmam que seu programa de enriquecimento de urânio é pacifico.

Apesar do governo continuar com forte cunho autoritário, a atitude dos iranianos de protestar e a grande quantidade de votos aos candidatos mais moderados mostra que o país pode se abrir mais e se tornar menos autoritário, mas este é um processo que leva vários e vários anos e com a forte repressão do governo, a oposição terá que lutar bastante caso queira atingir as suas metas e reformar o país.

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Vai dizer que não existem politicos menos extremistas no Irã? São todos conservadores? É a mesma que dizer o que o presidente Ahmadinejad falou: "Não existem homossexuais no Irã". Eu não citei o candidato Mousavi, nem afirmei que ele era melhor ou não, mas que existem diferenças, existem, sejam elas as menores possíveis. O artigo visa dar uma visão ampla e simples, uma leitura rápida. Para quem quer ter uma visão mais centrada e precisa da situação, então nem passe a ler meus artigos, pois tento ser claro e objetivo, e não cansar o leitor com conteúdo que exige bastante debate, uma vez que os leitores que se interessam por tais assuntos mais aprofundados, devem procurar um bom livro.
Moderados quem cara pálida?
Vejamos colocações de diferentes pontos de vista no mundo sobre o assunto:
“Como observou o dissidente e jornalista Iraniano Akbar Ganji, hoje exilado nos EUA, todos os quatro candidatos à Presidência faziam parte do sistema teocrático. O próprio Barack Obama disse que havia pouca diferença entre Ahmadinejad e Mousavi.”
"…Mousavi foi primeiro-ministro do Irã de 1981 a 1989, com o apoio do então rahbar (líder teocrático) Ruhollah Khomeini, geralmente de acordo com o então presidente, o aiatolá Ali Khamenei (pouco carismático, mas apoiado por Khomeini), mas contra o presidente do Parlamento, aiatolá Hashemi Rafsanjani, um revolucionário de primeira hora, apoiado pelo clero.
Durante seu governo, foram cometidas as piores atrocidades do regime iraniano, muito mais graves do que as cometidas pela atual repressão. Entre elas, a execução – em 1988, na maior parte – de 8 mil a 30 mil presos políticos, principalmente mujaheddin (guerrilha de esquerda, apoiada por Saddam Hussein) e comunistas.
Mousavi também aplaudiu o longo sítio da embaixada dos EUA pela guarda islâmica (1979-1981) e foi o responsável pela retomada do programa nuclear, suspenso desde a queda do Xá. É justo contextualizar: Mousavi e Khamenei conduziram o país durante a guerra contra o -Iraque de Saddam Hussein, cuja agressão fora apoiada por Washington e no contexto das disputas internas do regime era visto como “esquerda”, por favorecer o subsídio dos pobres com a renda do petróleo e ser mais hostil aos EUA.
Com o fim da guerra em 1988 e a morte de seu padrinho Khomeini, em 1989, Mousavi ficou isolado. Khamenei sucedeu Khomeini como rahbar, mas a eleição presidencial foi vencida pelo aiatolá Rafsanjani, que várias vezes defendera, contra Mousavi, a abertura para o Ocidente e a aceitação de seus recursos para a reconstrução."
"Em 2009, Mousavi buscou votos entre intelectuais, universitários, pessoas ricas, mulheres urbanas, burocratas e minorias étnicas. Enquanto Ahmadinejad mirou nos pobres, homens do campo, paramilitares, nacionalistas, dependentes públicos e desiludidos com a elite clerical que controlou o país por 30 anos. "
"Tem-se repetido que Ahmadinejad roubou votos, porque o resultado foi apresentado depressa demais, em tempo que teria sido insuficiente para que os votos fossem contados.
Mas, de fato, Mousavi foi o primeiro a declarar vitória, apenas algumas horas depois de encerrada a votação. É procedimento 'clássico' …para desacreditar resultados eleitorais que não sejam os 'desejados'. …Quanto mais tempo houvesse entre uma declaração 'preventiva' de vitória e a liberação das tabelas oficiais de votos apurados, mais tempo Mousavi teria para criar a impressão de que as autoridades eleitorais, responsáveis pelas eleições, estariam alterando as tabelas de apuração. O mais engraçado é que tantos finjam que não veem o truque e o golpe; menos engraçado é que sinceramente não os vejam."
"A fraude eleitoral que (até onde se comprove) não houve, foi apresentada como fato mesmo sem haver uma única evidência de qualquer fraude. Durante as eleições de George W. Bush(2000 e 2004), a única resposta da mídia tradicional no Ocidente às eleições americans comprovadamente fraudadas, foi ignorar todas as evidências de fraude real em eleições roubadas."
"Em extraordinário "vazamento" para a mídia do final da semana, imediatamente depois do histórico discurso de Khamenei nas orações da 6ª-feira, Meir Dagan, chefe do Mossad israelense, deixou "escapar" que a vitória do candidato de oposição, Mir Hossein Mousavi, nas eleições presidenciais de 12/6 no Irã significaria "grandes problemas" para Israel.
…Falando em audiência da Comissão de Defesa e Relações Internacionais do Parlamento israelense… segundo o jornal Ha'aretz, Dagan disse: 'Não houve fraude nas eleições no Irã; se houve, é a fraude-padrão que sempre acontece em todos os Estados liberais em todas as eleições. A disputa no Irã é assunto interno e nada tem a ver com as aspirações estratégicas do país nem como programa nuclear — que não se alterarão, seja quem for o próximo presidente.'
Em seguida, explicou: 'O mundo — e nós — já conhecemos Ahmadinejad. Se o candidato reformista Mousavi tivesse sido eleito, Israel estaria em situação mais difícil, porque seria preciso explicar ao mundo o perigo iraniano, porque o mundo imagina que Mousavi seja elemento moderado. É preciso lembrar que o programa nuclear iraniano foi iniciado por Mousavi, quando primeiro-ministro.'
…Israel rapidamente informou a Teerã, por canais diplomáticos discretíssimos, que Israel nada tinha a ver com nenhuma revolução "colorida". Foi informe muito oportuno. De fato, divisões que agora vieram à tona em Teerã existem há muito tempo e são divisões do regime iraniano, muito mais do que de alguma sociedade iraniana.
…No final de todo o espetáculo, a comunidade internacional só pode suspirar aliviada por, no momento em que se encenava esse drama complexo e extremamente difícil de decifrar, já não haver qualquer George W Bush na Casa Branca, em Washington. Parece pelo menos possível que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, consiga entender ou pressentir as sutilezas da situação; é crível que tenha, sim, decidido adotar posição de distanciamento e equilíbrio e manter-se nela, apesar da pressão que parecem estar fazendo os mais conservadores."
Fontes:
http://www.counterpunch.org
http://www.infowars.com
http://www.cartacapital.com.br
http://www.atimes.com
Ótimo Artigo, Rodrigo. Informação histórica e qualidade e que pode ser lida em menos de cinco minutos devido a sua forma de expressão clara. Mandou muito bem!