Durante o tempo necessário, Lost, e tudo o mais que gravita em torno da série, aguardou umaexplicação definitiva para o que quer que precise de uma. E nós aguardamos impacientementepor lançar também as nossas peças ao jogo. Eis que, quase um ano depois do colapso, caiacidentalmente em sua tela esse podcast – do qual pode-se dizer profundo, sem ser chato,e, acima de tudo, superficial, mas sem ser exatamente banal – como que uma explicação: anossa. Agora, se o for (há quem duvide), é para nós mesmos ainda labiríntica, provisória… deforma que talvez seja ainda bom não aceder de imediato às suas suposições, como a de que ailha é o Aleph, a de que há um Cordeiro de Deus lá (ou vários), a de que Jack poderá ter ficadofrente-a-frente com o Nome do Pai ou a suposição de que a rivalidade fraterna permeia tudo.

A (des)ordem das músicas e das falas foi minuciosamente composta por Emanoel Raiff e suaagilidade, em conluio com Zé Márcio. Entre um suposto fundo musical, que não é tão fundoassim, e as interrupções aleatórias, aqui e ali, pontuam-se explicações precárias de teoriastão diversas quanto oportunas e exposições incompletas de textos cuja única autorizaçãopara aproximá-los a Lost foi a nossa memória e a nossa vontade. Assim como foi com essasoberania graciosa que o Paulo Brabo ilustrou fulminantemente os contrastes de nossastentativas de seguir adiante. Valeu!

Da noite misteriosa de 25 de maio de 2010, participamos, além de todo mundo, Rondinelly,Allyson Irlesh e Zé Márcio, com a leve carga de espontaneidade e as singelas contradiçõesque carregamos. Confinados pelo estruturalismo, obcecados pela psicanálise, eternamenteretornando a Nietzsche ou condenados à lembrança do Evangelho, esse papo caótico quispretensiosamente, mas não deliberadamente, dar uma de Estação Cisne prestes a explodir:além de você, puxamos pra dentro de Lost tudo que, em nossa avaliação (que para nós é muitoimportante), nos habilitava a falar sobre o que já falava por si mesmo ou sobre o infalável. Dequalquer forma, o que está feito, está feito.

Que a multidão de vozes ou sussurros que, de todos os tempos, transformaram-se conoscoÀs vezes em labirinto, onde os caminhos estão sob a força de um alheio arbítrio, às vezes emselva, com trilhas por abrir, leve-nos, com a devida lembrança e o devido esquecimento, àredenção e ao arrebatamento. Ou, como não deixamos de estar para além da morte e do fim,leve-nos a ver-nos em outra vida (brothas).

Créditos:

Cortes e edição: Raiff Filho

Ilustração: Paulo Brabo

Sussurros: Rondinelly, Allyson Gabriel (Irlesh) e Zé Márcio

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