Apresentando: Elomar Figueira de Melo
É muito comum aqui no Brasil que as coisas boas fiquem escondidas aos olhos do povo. Digo isso porque existe um caso que já virou quase unanimidade, que é chegar para uma pessoa, muitas das vezes pessoas que se dizem cultas, e perguntar se conhecem seres como Elomar Figueira de Melo. A resposta quase sempre é a mesma: “Quem?” ou “Elo-o-que?”.
Eu me pergunto se isso acontece pelo fato do próprio Elomar querer se manter fora da mídia e dos grandes públicos(que eu não acredito que o seja), ou se é por pura displicência nossa, deixar passar uma coisa tão grande como Elomar.
Ora! As coisas estão aí no mundo para serem ouvidas, vistas, mas as pessoas guardam receio quanto a isso. Pensam que tal coisa não lhes é acessível ou que não são inteligentes o bastante para contemplar, ou qualquer outro motivo que seja.
Pois bem, Elomar é uma dessas criaturas cuja obra é de uma completude tão grande que não há quase nada que se compare. E ao mesmo tempo ele consegue ser uma figura simples, pacata, que quem vê duvida.
Vejam o que o Vinícius de Morais disse certa vez:
“A mim me parece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro. No dia em que “o sertão virar mar”, como na cantiga, minha impressão é que Elomar vai juntar seus bodes, de que tem uma grande criação em sua fazenda “Duas Passagens”, entre as serras da Sussuarana e da Prata, em plena caatinga baiana, e os irá tangendo até encontrar novas terras áridas, onde sobrevivam apenas os bichos e as plantas que, como ele, não precisam de umidade para viver; e ali fincar novos marcos e ficar em paz entre suas amigas as cascavéis e as tarântulas, compondo ao violão suas lindas baladas e mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes além, sempre além, no infinito latifúndio.”
Depois disso, deixo um dos poucos vídeos que há dele pela internet para quem quiser contemplar essa grandeza:

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Um ar simples, despretensioso, mas que (e penso ser por isto mesmo), sábio. Ar de quem viu muita coisa na vida, como apenas o nordestino de raiz pode dizer que viu. A beleza da vida e da morte nas coisas pequenas, aparentemente ínfimas. Temos muitos ares de vivência, pretensões e sabedorias fugazes. A dele é tátil, tão tátil quanto a corda que ele dedilha, e as rugas que lhe sobem no rosto, está em cada uma das expressões que carrega. Na falta de palavra à altura, digo que é divino.
Regionalismo forçado, onde já se viu?
Daqui a pouco vamos ter que criar umas carteirinhas de sertanejo! hehehehe
Mas nem se preocupe Rondinelly, ainda não chegamos ao ponto de ter de fingir o que já somos.
Seja bem vindo, Allyson Slash. Ótima apresentação. Ariano, Elomar… Sei não, mas acho que isso não é regionalismo pra sulista ver, conforme a construtiva crítica de um amigo nosso. A sertanidade não é uma coisa que adquirimos ou que portamos, é a gente onde a gente estiver, muito mais ainda nesse lugar nenhum que é a internet. Elomar é o sertão cantando.